Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Conheça a Temple Church em Londres, a igreja dos Cavaleiros Templários. Descubra sua história, os cavaleiros enterrados, curiosidades e preços de visita.

Jessica Soares
Jessica Soares
25 de outubro de 2026 · 14 min de leitura
Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Escondida entre ruelas históricas de Londres, a Temple Church guarda quase 900 anos de história, mistérios medievais e memórias dos Cavaleiros Templários. Mas, para mim, visitar essa igreja foi muito mais do que conhecer um monumento histórico: foi realizar um sonho antigo e sentir, por alguns instantes, que estava novamente conversando com meu avô, a pessoa que me ensinou a amar a história.

Existem lugares que visitamos para conhecer o passado. E existem lugares que, de alguma forma, nos levam de volta a ele. A Temple Church, em Londres, foi os dois para mim.

Meu avô já faleceu há alguns anos, por isso, quando finalmente cheguei à Temple Church, a emoção foi enorme. Não estava apenas diante de uma igreja do século XII. Estava diante de um lugar sobre o qual conversamos tantas vezes durante nosso tempo juntos.

Mas essa igreja guarda muito mais do que apenas uma dimensão pessoal. Sua arquitetura circular, suas misteriosas efígies de cavaleiros, uma escadaria curiosa e sua ligação com um dos documentos mais importantes da história inglesa fazem dela uma visita especial para quem ama história medieval.

E o mais surpreendente? Esse lugar histórico fica praticamente escondido no meio de uma das cidades mais visitadas do mundo.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Onde fica a Temple Church e por que ela passa despercebida por tantos turistas?

Ela fica na região conhecida como Temple, entre a Fleet Street e o rio Tâmisa, cercada por edifícios históricos, pátios internos e passagens estreitas. Não é uma igreja que se impõe imediatamente diante de quem caminha por uma grande avenida. Para encontrá-la, é preciso entrar por uma das ruelas da região e prestar atenção ao caminho.

Essa localização quase escondida faz parte do encanto da visita.

Ao atravessar a entrada e deixar para trás o movimento da cidade, a sensação é de descobrir um pequeno refúgio medieval em meio à Londres moderna. Os edifícios de pedra, os pátios silenciosos e a atmosfera discreta parecem pertencer a outro tempo.

Não significa que a Temple Church seja desconhecida ou que nunca receba visitantes. Ela atrai pessoas interessadas em história, arquitetura, religião e nos Cavaleiros Templários. Ainda assim, não costuma ocupar o mesmo espaço nos roteiros turísticos tradicionais que os grandes monumentos londrinos.

Para quem gosta de explorar lugares menos óbvios, esse é um ótimo motivo para incluí-la no itinerário.

Minha sugestão: não vá apenas para tirar uma fotografia da fachada. Reserve um tempo para caminhar pelos arredores e observar os detalhes. Parte da experiência está justamente em descobrir a igreja aos poucos.

Quem eram os Cavaleiros Templários?

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Para entender a importância da Temple Church, precisamos voltar ao século XII.

Os Cavaleiros Templários faziam parte de uma ordem religiosa e militar surgida por volta de 1119, no contexto das Cruzadas. Sua missão inicial estava relacionada à proteção dos peregrinos cristãos que viajavam até Jerusalém e à Terra Santa.

Os templários combinavam uma vida religiosa, marcada por votos e disciplina, com atividades militares. Com o passar do tempo, a ordem acumulou influência política, propriedades e recursos financeiros em diferentes regiões da Europa.

Eles não eram apenas guerreiros. Também administravam terras, mantinham redes de comunicação e ofereciam serviços financeiros a pessoas poderosas, incluindo integrantes da nobreza e da realeza.

Essa combinação de poder militar, religioso e econômico ajudou a transformar a ordem em uma das instituições mais influentes da cristandade medieval.

Foi nesse contexto que os templários estabeleceram sua presença em Londres.

A cidade era um importante centro político e comercial do reino inglês, e a região próxima ao Tâmisa oferecia uma localização estratégica para administrar propriedades, receber visitantes e manter contato com as autoridades.

A Igreja dos Templários tornou-se o coração religioso de um complexo muito maior, conhecido como New Temple.

Por que os templários escolheram esse local em Londres?

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

A escolha do terreno não parece ter sido aleatória.

Em meados do século XII, os templários transferiram sua base londrina de Holborn para uma área mais ampla entre a Fleet Street e o rio Tâmisa. A nova propriedade permitia acomodar não apenas uma igreja, mas também edifícios residenciais, alojamentos, depósitos, estábulos, espaços de reunião e outras instalações necessárias à vida da ordem.

A proximidade do rio era particularmente importante numa época em que as vias fluviais desempenhavam um papel fundamental no transporte de pessoas e mercadorias.

Além disso, Londres era o centro do poder real inglês. Estar próximo das autoridades, dos comerciantes e das principais rotas de circulação ajudava a ordem a exercer suas atividades religiosas, administrativas e financeiras.

O complexo também mantinha relações estreitas com a monarquia. Reis ingleses frequentavam o local, e os templários chegaram a custodiar tesouros e recursos financeiros.

Portanto, a localização reunia vantagens práticas, econômicas e políticas.

A igreja era muito mais do que um lugar de oração: fazia parte de uma estrutura que ajudava a sustentar a presença dos templários na Inglaterra.

A arquitetura circular da Igreja dos Templários e sua ligação com Jerusalém

Uma das primeiras coisas que chamam a atenção ao entrar nessa igreja é o formato circular de sua parte mais antiga. Essa característica não foi escolhida apenas por razões estéticas.

A igreja foi concebida para evocar a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, um dos lugares mais sagrados do cristianismo, tradicionalmente associado à crucificação, ao sepultamento e à ressurreição de Jesus.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Para os cruzados, Jerusalém possuía um significado espiritual extraordinário. Reproduzir referências arquitetônicas ligadas à cidade sagrada era uma maneira de manter essa conexão simbólica mesmo a milhares de quilômetros de distância.

A parte circular da igreja foi consagrada em 10 de fevereiro de 1185 pelo patriarca de Jerusalém, Heráclio. A data marca um dos momentos mais importantes da história do edifício.

Imagine a cena: estamos no século XII, numa Londres medieval, e uma igreja construída por uma ordem profundamente ligada às Cruzadas recebe a consagração de uma autoridade religiosa vinda de Jerusalém.

É difícil não se impressionar com o simbolismo desse acontecimento.

A construção que vemos hoje possui duas partes principais: a nave circular, conhecida como Round, e o coro retangular, chamado de Chancel.

Este último foi reconstruído e ampliado durante o século XIII, sendo consagrado em 1240 na presença do rei Henrique III. Essa combinação de arquitetura normanda e elementos góticos revela como a igreja cresceu e se transformou ao longo dos séculos.

A curiosidade das efígies dos cavaleiros: eles eram realmente templários?

Essa é uma das partes mais fascinantes da visita.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

No interior da nave circular estão as famosas efígies medievais de homens representados em trajes militares, alguns com as pernas cruzadas, outros com as pernas estendidas.

À primeira vista, é fácil imaginar que estamos diante dos túmulos de grandes Cavaleiros Templários. Essa associação se tornou muito popular e contribuiu para a fama da igreja.

Mas existe um detalhe histórico importante: nem todos os cavaleiros representados nessas esculturas eram templários e a identidade de várias figuras continua incerta.

Entre os personagens identificados estão William Marshal, primeiro conde de Pembroke, e seus filhos William Marshal, o Jovem, e Gilbert Marshal.

William Marshal foi uma figura extraordinária da Inglaterra medieval. Serviu a diferentes reis, exerceu grande influência política e tornou-se regente durante a menoridade de Henrique III. Também esteve ligado aos acontecimentos que cercaram a Magna Carta, documento fundamental para a história constitucional inglesa.

Sua presença na Temple Church ajuda a explicar a importância do lugar para além da própria ordem religiosa.

As esculturas, conhecidas em inglês como effigies, são representações funerárias. Embora estejam associadas a sepultamentos e à memória dos personagens retratados, não se deve presumir que cada figura corresponda a um corpo diretamente enterrado sob ela.

Ao longo do tempo, a disposição das efígies foi modificada, e a identificação de algumas delas continua sendo objeto de debate histórico.

Por que alguns cavaleiros aparecem com as pernas cruzadas?

Essa é outra curiosidade que merece atenção.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Algumas das figuras estão representadas com as pernas cruzadas, postura que durante muito tempo foi interpretada como um sinal de participação nas Cruzadas ou de compromisso com a defesa da Terra Santa.

Entretanto, não existe consenso de que essa posição, isoladamente, prove que a pessoa retratada tenha participado de uma cruzada.

A postura faz parte de uma tradição iconográfica medieval cuja interpretação continua sendo discutida pelos historiadores.

Vale a pena observar as esculturas de perto. Repare nas espadas, nos escudos, nas roupas e nas diferentes posições das mãos e das pernas. Cada figura apresenta detalhes próprios, e algumas estão bastante desgastadas pelo tempo.

Há algo particularmente comovente nessas representações: homens que um dia foram figuras importantes de seu tempo continuam presentes na paisagem de Londres, mesmo quando seus nomes já não são conhecidos.

A história preservou suas imagens, mas nem todas as suas identidades.

A escadaria escondida e os detalhes que muita gente não percebe

Outro detalhe interessante da Igreja dos templários é a escadaria em espiral localizada na região de transição entre a parte circular e a parte retangular da igreja.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Ela oferece uma perspectiva diferente do interior e ajuda a revelar aspectos da arquitetura que podem passar despercebidos quando olhamos apenas para o nível do chão.

Se o acesso estiver disponível durante a visita, vale observar como a escada se integra à construção e como a perspectiva muda à medida que se ganha altura.

A própria arquitetura da igreja convida a olhar em várias direções. A forma circular, as colunas, os arcos e a relação entre os diferentes espaços criam uma experiência distinta daquela de uma igreja tradicional de nave inteiramente retangular.

Outro detalhe que merece atenção são as cabeças esculpidas e as figuras grotescas que decoram partes do edifício. Entre elas há rostos humanos e representações curiosas que contrastam com a solenidade religiosa do espaço.

Esses elementos são lembranças de que as igrejas medievais não eram necessariamente ambientes visualmente austeros. Escultores e artesãos incorporavam expressões, personagens e motivos variados às suas obras.

Minha recomendação é simples: olhe para cima, observe as paredes e não se limite às figuras dos cavaleiros. Há muitos detalhes arquitetônicos que só aparecem quando diminuímos o ritmo da visita.

A Temple Church teve ligação com a Magna Carta?

Sim, e essa relação acrescenta outra camada de importância histórica à igreja.

A Magna Carta foi acordada pelo rei João da Inglaterra em 1215, após um conflito com um grupo de barões que buscava limitar determinadas prerrogativas da Coroa.

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

O documento tornou-se um marco na história política e jurídica inglesa, embora seu significado e sua aplicação tenham evoluído ao longo do tempo.

A igreja fazia parte de um complexo ligado às elites políticas do reino. O rei João visitou o New Temple em janeiro de 1215, quando recebeu uma delegação de barões que exigia uma carta de liberdades.

Mais tarde, o mestre dos templários esteve entre as testemunhas associadas à Magna Carta.

É importante fazer uma distinção: a igreja não foi o local onde a Magna Carta foi assinada. Sua relevância decorre das conexões políticas e institucionais que existiam entre os templários, a monarquia e os protagonistas daqueles acontecimentos.

A proximidade entre a igreja e a história constitucional inglesa é um excelente exemplo de como um espaço religioso medieval também podia ocupar uma posição importante na vida política do reino.

O que aconteceu com os Cavaleiros Templários depois?

A história dos templários teve um fim dramático.

Lista com os nomes dos mestres da igreja e o ano que eles iniciaram a liderança
Lista com os nomes dos mestres da igreja e o ano que eles iniciaram a liderança

No início do século XIV, a ordem enfrentou uma grave crise. Em 1307, muitos de seus integrantes na França foram presos por ordem do rei Filipe IV, que promoveu acusações de heresia e outras práticas consideradas criminosas.

As acusações, os julgamentos e as circunstâncias políticas que cercaram a perseguição continuam sendo temas importantes para os estudiosos da ordem.

Em 1312, o papa Clemente V suprimiu oficialmente os Cavaleiros Templários.

Na Inglaterra, as propriedades e os bens da ordem passaram por um processo de transferência e disputa. O complexo londrino acabou associado aos Cavaleiros Hospitalários e, posteriormente, à história das instituições jurídicas que se estabeleceram na região.

A Igreja dos Templários, porém, sobreviveu.

Ao longo dos séculos, atravessou mudanças religiosas, reformas arquitetônicas e episódios de destruição. Foi danificada durante os bombardeios alemães de 1941, na Segunda Guerra Mundial, e posteriormente restaurada.

Hoje, a igreja continua funcionando como local de culto e ocupa uma posição singular na história religiosa, cultural e jurídica de Londres.

Entrar nela é atravessar quase nove séculos de transformações.

É possível ser enterrado dentro da Temple Church até hoje?

Essa pergunta é especialmente interessante porque nos leva para além dos cavaleiros medievais.

A região do Temple foi utilizada como local de sepultamento durante muitos séculos. A igreja e os terrenos ao redor receberam os restos mortais de diversas pessoas, incluindo figuras ligadas à nobreza, à vida religiosa e às instituições jurídicas que ocuparam o complexo.

Detalhes do chão da igreja
Detalhes do chão da igreja

Registros históricos mostram que os sepultamentos continuaram por muito tempo depois do fim da ordem templária.

Durante os séculos XVII e XVIII, foram utilizados espaços internos e criptas, enquanto as áreas disponíveis começaram a se tornar cada vez mais limitadas. Com o tempo, as instituições responsáveis pela região passaram a impor restrições mais rigorosas aos novos sepultamentos.

No século XIX, já existiam regras que limitavam os enterros dentro da igreja, reservando determinadas possibilidades a grupos específicos e restringindo a criação de novos monumentos.

Mas e hoje? Uma pessoa comum poderia decidir que deseja ser enterrada ali?

Não se trata de um local com sepultamentos abertos ao público, como um cemitério convencional. A possibilidade de um novo sepultamento dependeria das regras aplicáveis, da disponibilidade de espaço, das autorizações necessárias e da decisão das autoridades responsáveis pela igreja e pelo complexo.

Não encontrei confirmação oficial de que a Temple Church ofereça atualmente sepultamentos a novos interessados. Portanto, seria incorreto afirmar que qualquer pessoa pode comprar um espaço ou reservar uma sepultura ali.

O que podemos afirmar é que a história funerária do local é extensa e que as regras mudaram ao longo dos séculos.

Uma porta com séculos de existência
Uma porta com séculos de existência

Existe também uma distinção importante entre as efígies e os sepultamentos reais. As esculturas dos cavaleiros não devem ser interpretadas automaticamente como túmulos intactos, cada qual contendo os restos mortais da figura representada.

Essa diferença entre monumento, memória e sepultura é uma das razões pelas quais o local continua despertando interesse histórico.

Como visitar a Temple Church em Londres: horários, preço e localização

Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários

Para quem está planejando uma viagem, estas são as principais informações práticas.

Endereço: Temple, London, EC4Y 7BB

Metrô: Você pode escolher entre a estação Temple ou Blackfriars

Horário habitual: Segunda a sexta-feira, das 10h às 16h

Entrada turística: No site deles diz que a entrada é gratuita, porém ao entrar um funcionário da igreja irá cobrar um preço sugerido de £5 por pessoa.

Entrada com desconto: £3, conforme as condições aplicáveis

Crianças: Entrada gratuita, segundo as informações oficiais

Tempo sugerido visita: Cerca de 45 minutos a 1 hora

Os horários habituais e os preços acima foram consultados nas informações oficiais da igreja, mas podem mudar em razão de celebrações religiosas, eventos privados, atividades especiais ou obras de manutenção.

Atenção: a igreja não fica necessariamente aberta para visitas turísticas todos os dias. Antes de sair, consulte a programação oficial, especialmente se estiver viajando durante o fim de semana ou tiver pouco tempo em Londres.

Visitar a Temple Church foi conhecer um pedaço da história dos Cavaleiros Templários, mas também foi uma forma de homenagear a história que construí com meu avô. E essa é uma memória que levarei comigo para sempre.

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  • Uma porta com séculos de existência
  • Temple Church, em Londres - A Igreja dos Cavaleiros Templários — foto 12
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Sobre a autora

Jessica Soares

Jessica é criadora de conteúdo de viagem e atua há mais de 10 anos no turismo, com experiência como agente de viagens e concierge.

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